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MAROUSSIA

Um pouco de mim... Sobre o que sinto, ouço, escrevo e gosto !!

MAROUSSIA

Um pouco de mim... Sobre o que sinto, ouço, escrevo e gosto !!

07.02.20

Povo "nómada...quiçá uma etnia um pouco "controversa" (para quem não os entenda), todavia, humanos como todos nós, apenas de tradições e crenças mais diferenciadas e "vincadas" dentro de si ... !!


Maroussia

ciganos.jpg

” CIGANOS “

Ciganos, povo nómada sem fronteiras
a sua pátria é quase sempre indefinida,
pois vivem sob quaisquer bandeiras
desde que possam "governar" a vida.

De lindas lendas e velhas tradições
vivem livremente os dias das suas vidas,
trazem consigo centenas de gerações,
experiencias e tantas emoções vividas.

Pele morena, olhos negros e profundos
atraem-me por terem tanta sensualidade,
talvez por tanto conhecerem o mundo
tenham algo que transcende a realidade.

Seu corpo dança, nessa entrega total
que só pode ter significado de felicidade,
por vezes com uns gestos e um ar fatal
que nos causa uma certa temeridade.

A maior parte deles são perseguidos
como malfeitores, vigaristas e ladrões,
mas se no seu meio existem pervertidos
também há muita gente de boas intenções.

Mas se é uma raça em si muito controversa,
também impera nela, força e uma grande união,
entre nós, a desgraça alheia quase nos dispersa,
um cigano a outro cigano, estende a sua mão.

Talvez por tudo isto, eu me sinta tão atraída
porque o cigano encara a vida sem ter medo,
é essa maneira de saberem enfrentar a vida
que para mim, funciona quase como um “credo”.


®M.Cabral

11.11.19

Quem quer quentes e boas, quentinhas... ?!


Maroussia

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono, à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.

Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante,
é como se empurrasse o nevoeiro.

Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

Poema de José Carlos Ary dos Santos
Música de Paulo de Carvalho

Vídeo carregado por Alberto João (Catujaleno/Zorate).
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Nota pessoal:  Votos de um Feliz Dia de São Martinho
mas... sejam comedidos, no comer e beber

®M.Cabral